15/12/11
24/10/11
Direita ou Esquerda? Os grandes temas voltam à tona.
Ontem foi dia de protestar contra a nova ciclofaixa de Curitiba.
As razões pra isso eram muitas; entre elas: a mediocridade do projeto, que com seus míseros 4 km não atende nem de perto as mínimas exigências dos ciclistas; a periodicidade quase bissexta de uma ciclofaixa que só funcionará durante um domingo por mês; a ânsia marketeira da administração pública, que como de costume transforma vento em louros, numa alquimia publicitária que já perdeu há décadas qualquer resto de escrúpulo que pudesse ter. E por aí vai... Alguns ainda dirão que a pretensa ciclofaixa seria uma tentativa da Prefeitura de enfraquecer o movimento ciclista, ao dar uma justificativa placêbica à sociedade e assim tentar curar a carência dos ciclistas e bla bla bla.
Todos esses foram bons motivos para protestar no dia de ontem. E viraram palavras de ordem, e foram berrados até na porta da casa do prefeito da cidade.
O que não foi, nem de perto, motivo da manifestação, é o lado da rua onde estava instalada a polêmica ciclofaixa. Então eu pergunto: por que esse assunto foi abordado com destaque em todas as matérias veiculadas na imprensa hoje? Lado esquerdo da via, lado direito da via, legislação, código brasileiro de trânsito. A mídia bateu nessa tecla sem trégua, como se essa fosse a motivação que tiraria centenas de pessoas de casa para protestar durante mais de quatro horas num domingo de manhã.
Pessoalmente eu vejo isso como uma tentativa de esconder as verdadeiras razões do protesto, ao mesmo tempo em que evitam as óbvias críticas com as quais teriam que lidar se nem tivessem divulgado a manifestação.
Deixo abaixo uma reportagem muito ilustrativa dessa distorção dos fatos. Destaco algumas pérolas, tais como chamar de "ciclistas" os gatos pingados domingueiros que andaram pela ciclofaixa oficial e, por outro lado, chamar apenas de "insatisfeitos" os manifestantes, esses sim ciclistas de todos dias.
Mais pra frente entrevistam motoristas, que dizem achar ótima a ciclofaixa. Claro, como não achariam?, se ela só vai lhes tomar um pedaço da rua durante 8 horas por mês, ainda por cima num domingo!
Para completar mencionam, literalmente, que "o problema é que a ciclofaixa foi pintada do lado esquerdo da via, contrariando o código trânsito, que diz que ela deve ser do lado direito. E para protestar justamente contra isso é que um grupo de ciclistas percorreu o trajeto fora das demarcações da ciclofaixa".
Honestamente, isso é uma vergonha. É uma farsa jornalística. Primeiro, porque nem sequer consultaram o código de trânsito. Do contrário saberiam que não há nada de irregular em uma ciclofaixa do lado esquerdo. Segundo, por relacionarem as motivações do protesto a esse tema insignificante. Terceiro, porque não entrevistaram sequer um manifestante; ou se entrevistaram, cortaram isso na edição tendenciosa que fizeram.
Nosso poder público é uma vergonha disfarçada pelo verniz publicitário. Nossa imprensa é uma vergonha que nem se dá ao trabalho de se disfarçar.
Um rolê noturno pelo Dia dos Mortos
Lá as pessoas usam máscaras, pintam o rosto, vestem roupas típicas e vão em massa aos cemitérios, onde comem, bebem, cantam e dançam, na esperança de levar um pouco de alegria aos seus mortos - e a eles próprios, claro.
Aqui no Brasil, boa parte das pessoas se veste de preto, chora e vai aos cemitérios lamentar a morte dos outros. Outra boa parte desconhece o significado da data e acha que é só um feriado, e fica na torcida pra que ele caia numa 6a-feira.
ROLÊ NOTURNOEm Curitiba o buraco é 7 palmos mais embaixo. Aqui, como no México, a turma quer diversão. Simbolicamente, os mortos saem para um rolê noturno de bicicleta, saindo do cemitério, circulando pela noite da cidade, apavorando aqueles com o coração fraco, desagradando aqueles com as bundas moles, e terminando ruidosamente na frente de algum bar que esteja aberto na madrugada. Como em Curitiba não são muitos os bares abertos a essa hora, alguns mortos-vivos já foram vistos em locais de reputação, digamos assim, duvidosa, à procura de alguma bebida pra encerrar a celebração. Não vou citar nomes em respeito aos finados.
A edição desse ano será no dia 01 de novembro. A concentração será no Cemitério Municipal, a partir das 23h30 e a saída está marcada para 23h59hs.
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| Típica máscara del Dia de Dia de los Muertos. Credit: Grimcinder |
Os organizadores destacam que o evento não é inspirado em halloween norte-americano. Ou seja, máscaras e maquiagens de caveiras são muitíssimo bem vindas (bem ao estilo mexicano), mas se a sua idéia é tirar aquela fantasia de bruxa ou Freddie Krueger do armário, melhor escolher outro evento pra ir. Até porque, quem é que gostaria de pedalar lado a lado com alguém que parece saído de uma festinha de escola de idiomas?
EDIÇÃO ANTERIOR
A primeira edição, em 2010, foi supreendentemente bem aceita, e umas 50 almas penadas foram vistas pedalando em bando pela madrugada curitibana.Para este ano, há menos de 10 dias do evento já tem mais de 60 confirmados no evento marcado pelo Facebook.
Abaixo segue um vídeo com os melhores momentos de 2010.
Pedalada de Los Muertos from Ata hostin on Vimeo.
ROLÊ NOTURNO DIA DE LOS MUERTOS
Data: 01 de novembro
Horário: 23h30
Local: Cemitério Municipal de Curitiba.
07/10/11
NÃO É FÁCIL ACABAR COM STEVE JOBS; E NEM FALAR BEM DELE.
15/03/11
Vitória do atraso político
Quem tem alguma idade e boa memória se lembra de uma época em que a economia brasileira era dominada por alguns demônios persistentes: o desabastecimento periódico do leite, da carne; os congelamentos e tabelamentos, o contingenciamento de exportações e de importações, o populismo salarial e sindical e a inflação absolutamente descontrolada. Nada disso existe mais. Aprendemos a desconfiar de fórmulas milagrosas de exorcismos para afugentar esses demônios, como o Plano Cruzado, o Plano Feijão com Arroz, o Plano Collor e outras tolices e tragédias. Aprendemos que exportar se consegue com competitividade e não depende, necessariamente, de uma paridade cambial favorável, que ajuda, mas não é indispensável, como prova o Japão há mais de trinta anos. E aprendemos que dar calote nos outros transforma os caloteiros em párias do mercado financeiro, como a Argentina está sabendo há quase dez anos.
O desfile das escolas de samba demonstra que também aprendemos em outras áreas, como a observância dos horários e dos calendários, o rigor dos detalhes e a perfeição dos conjuntos, a canalização da imaginação criativa e a riqueza do conhecimento empírico disseminado na população que teve menos oportunidades de educação formal. Em um país em que as unidades de tempo mais utilizadas são “qualquer dia desses”, “depois do Carnaval”, “na semana que vem” e “amanhã, mas não garanto”, mais de 60 mil figurantes desfilam em exatos 80 minutos, sem correrias nem atrasos, com fantasias impecáveis e carros alegóricos holywoodianos, movidos a feijão. Um assombro, de encher os olhos. O que Roberto DaMatta chamava de “organizações-cometas”, que têm um pequeno núcleo permanente, ao qual se junta uma enorme cauda na época do carnaval, hoje em dia é uma economia permanente que emprega milhares de pessoas e gera bilhões em faturamento.
Há, porém, uma área em que parecemos não avançar nada, que é a da política. Entra ano, sai ano, os hábitos políticos continuam a surpreender pela desfaçatez e pela imaginação criativa: cada vez que uma prática escandalosa é desnudada na imprensa, os nobres representantes do voto popular encontram outras maneiras de continuar a ordenhar a vaca leiteira do Erário e mamar nas tetas públicas. Os partidos nascem e morrem tratados apenas como animais de montaria temporária. Pensa-se agora, por exemplo, em um novo partido, o PDB, Partido da Democracia Brasileira. Mas, para quê? Para burlar a legislação eleitoral, permitindo que os que migrarem para esse novo aprisco não percam os mandatos por infidelidade partidária. No segundo momento, funde-se o novo partido com um já existente e voilà! , passa-se novamente a perna na Justiça Eleitoral. Um primor de esperteza, só isso.
Enquanto isso, os partidos atuais insistem em ser desimportantes e primam por desprezar lideranças que poderiam ter um papel modernizador, sufocando-as com ambições paroquiais ou regionais. Está acontecendo com Aécio Neves, marginalizado pela oligarquia paulista que, não satisfeita com a surra de 14 milhões de votos que levou de uma estreante em eleições, insiste em perder a próxima. E com Gustavo Fruet aqui em Curitiba, cujos 650 mil votos na capital estão sendo esnobados pelo seu partido, que prefere antecipar o debate eleitoral, fortalecendo as pretensões do atual prefeito Luciano Ducci do PSB. Mas que mal pergunte: os dirigentes de um partido não deveriam fazer força para que ele ganhe as eleições e não um partido concorrente?
Acho Luciano Ducci um ótimo administrador e um político habilíssimo, como demonstrou como secretário de Saúde, que tem todo direito de pretender a prefeitura. Além disso, quem está fazendo a lambança é o PSDB, não ele, que é apenas seu beneficiário. Mas considero um desrespeito com a democracia brasileira que alguém com as credenciais morais e políticas de Fruet e as esperanças dos 650 mil eleitores que votaram nele, sejam jogados no lixo pelas espertezas de campanário de alguns de nossos pais da pátria. É a vitória do atraso e do conchavo.
Belmiro Valverde Jobim Castor é professor do doutorado em Administração da PUCPR.
GAZETA DO POVO - 13/03/2011
O lixo só é um problema quando ele é um problema.
CENÁRIO: 150 mil toneladas de lixo orgânico despejadas diariamente em lixões e aterros sanitários de todas as cidades brasileiras, onde homens, mulheres e crianças vagam como zumbis atrás de dejetos e restos de comida. Além deles, as únicas formas de vida que se atrevem a passar por ali são cães doentes, ratos, urubus, insetos, piolhos e bactérias transmissores de febre tifóide, lepra, tétano e leptospirose.COMO FAZER uma compostagem doméstica
- [N] Restos crus de vegetais (cascas, sementes, folhas...)
- [N] Vegetais cozidos sem gordura
- [N] Casca de ovo
- [N/C] Pão
- [N/C] Bolacha (bolacha recheada talvez não seja uma boa por conta da gordura)
- [N/C] Farinha
- [N] Bolos secos (fubá, laranja, cenoura...)
- [N] Alimentos cozidos sem gordura (arroz, feijão, macarrão)
- [C] Erva Mate
- [C] Chá (inclusive os saquinhos, se forem de papel]
- [C] Borra de café (inclusive o filtro)
- [C] Cinzas e carvão moído
- [C] Papel toalha sem gordura
- [C] Guardanapos
- [C] Jornal
- [C] Restos de jardinagem (grama, folhas, flores e arbustos)
- [C] Palha e Serragem
- Papel higiênico não é uma boa, porque cocô não é lá uma coisa muito limpa e contém agentes patogênicos. (só funciona se você tiver minhocas envolvidas no processo de compostagem. Explico melhor lá na frente.)
- Restos animais
- Animais mortos
- Restos de carne (qualquer carne)
- Restos de óleo e gordura
- Derivados do leite
- Tortas e bolos com recheios cremosos e/ou gordurosos
- Lixo reciclável (óbvio que não serve, mas não custa lembrar)
- Bitucas de cigarro
- Couro
- Esmaltes, solventes e outros produtos químicos
- Papel toalha engordurado
- Restos de comida que contenham gordura (molho branco, por exemplo)
- OBS. 1: Olhando assim, parece que muita coisa não vai para a composteira, mas na prática esses lixos que são os "proibidos" formam um volume muito pequeno do total de lixo gerado. Eles geram poucas sobras e seu consumo é, em geral, em menor quantidade.
- OBS. 2: No entanto, é possível decompô-los também, mas o processo não é de compostagem e sim de biodigestão. Esse é um processo complicado, que eu ainda não domino, por isso nem vou tentar explicar. Mas esse seria o auge da destinação sustentável do lixo!
- 2 caixas plásticas (dessas de feira, com o fundo e as laterais furadas)
- 2 metros de tela sintética de jardim (com a trama bem fechada)
- 1 pá ou garfo de jardinagem
- TEMPERATURA: O composto deve ter um temperatura morna, sinal de que as reações químicas estão acontecendo.
- Se estiver muito quente significa que está fermentando demais e os microorganismos estão torrando iguais vietnamitas sob uma chuva de napalm. Isso é ruim.
- Se estiver muito fria não chega a ser um problema. Mas também vai demorar mais para a decomposição total. Provavelmente é falta de lixos-nitrogênio. - TEXTURA: O composto deve ter uma textura mais homogênea possível. Procure triturar um pouco os lixos antes de jogá-los na composteira.
- Se estiver tudo meio embolotado e pegajoso não é muito bom. Remexa com mais frequência.
- Se estiver afofado é um bom sinal.
09/11/10
Vamos de Azul ou Vermelho?

Tanto faz. No estado de permanente daltônismo ideológico em que vivemos, qualquer merda serve.
Nesses emails corrente, nunca sei o que me chama mais atenção; se é a falta de pudor com a ortografia, ou com os fatos. Por isso vou falar dos fatos, já que ortografia não se discute, se aprende. Extraí do texto e comentei a passagem mais perolática, a tal do azul e vermelho. Entre outras bobagens dizia assim: “No dia 03 de outubro, quem não votar em Dilma, saia vestindo Azul. A cor da Paz, da Liberdade e da Verdade. E será um grande recado para essa turma, mesmo se ganharem.”
Pois bem, VERMELHO OU AZUL SÃO A MESMA BOSTA, E NÃO TEM NADA A VER COM PAZ
Primeiro porque azul não é e nunca foi a cor da Paz, da Verdade ou sei lá que outros conceitos fajutos.
Além do mais, já passou há muito tempo a época dessa besteira de “vermelho e azul”, “ameaça comunista e salvação ocidental”. Esse maniqueísmo bobo já não faz sentido nenhum, nem para o PT. Atentem para o fato de que na campanha da Dilma as cores predominantes são outras. O vermelho comunista nem sequer cabe mais na agenda neoliberal capitalista do novo PT de Lula.
E tem mais, Azul é, no Paraná, a cor da campanha do Beto Richa, um demagogo de merda que ninguém deveria apoiar nem para uma eleição de síndico ainda que as cores dele estivessem só na cueca.
Nesta campanha, provavelmente a pior que já tivemos, Azul ou Vermelho dão absolutamente na mesma. Para eleitores tão deploráveis como nós, sem nenhum conhecimento ou posicionamento ideológico, essa liturgia besta de vestir-se com esta ou aquela cor só serve pra optar entre o ruim e o pior. Quer protestar? Saia pelado. Pelo menos é verdadeiro.
15/06/10

O Brasil das grandes causas.
11/04/10
Nova Iorque inaugura bilbioteca pública onde antes era um lixão.

Nova Iorque, década de 80. Em um lixão do sul da ilha, os urubus ganham novos vizinhos. Também bípedes, mas avessos ao lixo, esse novos vizinhos preferem caminhar, andar de bicicleta e ler embaixo das árvores recém plantadas: são pessoas. E como pessoas que são, votam. E porque votam, são muito mais interessantes que os urubus. (os urubus, sentindo-se meio deslocados e enciumados, foram embora pra outro lugar)
No lugar do lixo, aparecem coisas bem mais legais, tais como ciclovias, boulevares e centros comerciais.
Vinte anos depois aparece uma biblioteca pública, que torna a vida das pessoas ainda mais legal. Esse lugar é o Battery Park, em Nova Iorque.
Aliás, a inauguração da Biblioteca Pública de Battery Park, que além de pública é "verde", e que além de verde é ótima, e que além de ótima foi construída onde antes era um lixão, é que me fez pensar como situações tão parecidas, podem ser tão diferentes. Aliás, por falar em diferenças, este texto bem que poderia ser intitulado "A diferença entre criar gente e criar gado".
17/03/10
16/03/10
Vamos castrar todo mundo!
Hoje temos que estar altamente capacitados pra tudo. Mas pra ter filhos, basta dar umazinha.


