11/04/2010

Nova Iorque inaugura bilbioteca pública onde antes era um lixão.


Niterói, década de 80. Em um lixão da periferia, os urubus ganham novos vizinhos. Também bípedes - e também catadores de lixo - esses novos vizinhos diferenciam-se dos urubus em um particular: são pessoas. E como pessoas que são, votam. E porque votam, são muito mais interessantes que os urubus. E assim, por serem mais interessantes que urubus, passam a ser agraciados pelo poder público com coisas legais, tais como asfalto, postes de luz e outros mimos de subsistência. Em troca disso, só precisam votar, e votar, e votar... agraciando por sua vez os seus benfeitores com um mandato atrás do outro.
Vinte anos depois, vem uma chuvarada fora do comum e leva por água abaixo todas as suas vidas. Esse é o Morro do Bumba, em Niterói, Brasil.

Morro do Bumba, uma belezura.

Nova Iorque, década de 80. Em um lixão do sul da ilha, os urubus ganham novos vizinhos. Também bípedes, mas avessos ao lixo, esse novos vizinhos preferem caminhar, andar de bicicleta e ler embaixo das árvores recém plantadas: são pessoas. E como pessoas que são, votam. E porque votam, são muito mais interessantes que os urubus. (os urubus, sentindo-se meio deslocados e enciumados, foram embora pra outro lugar)
No lugar do lixo, aparecem coisas bem mais legais, tais como ciclovias, boulevares e centros comerciais.
Vinte anos depois aparece uma biblioteca pública, que torna a vida das pessoas ainda mais legal. Esse lugar é o Battery Park, em Nova Iorque.


Battery Park, Nova Iorque, abril de 2010.

Aliás, a inauguração da Biblioteca Pública de Battery Park, que além de pública é "verde", e que além de verde é ótima, e que além de ótima foi construída onde antes era um lixão, é que me fez pensar como situações tão parecidas, podem ser tão diferentes. Aliás, por falar em diferenças, este texto bem que poderia ser intitulado "A diferença entre criar gente e criar gado".

2 comentários:

:: Carla Irusta :: disse...

Porque você deixa seus leitores na mão? Quando teremos mais?

palito ortega disse...

Porque eu sou um vagabundo e às vezes (muitas) tenho preguiça.
Por outro lado, trabalho demais e também fico com preguiça.
Beijo,