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09/11/2010

Vamos de Azul ou Vermelho?


Tanto faz. No estado de permanente daltônismo ideológico em que vivemos, qualquer merda serve.

Nos dias antes da eleição recebi um desse emails corrente incitando as pessoas a vestirem-se de azul no dia do pleito para, entre outras coisas, mostrar que a maioria era AZUL e não VERMELHA, como afirmavam as ditas pesquisas compradas.

Nesses emails corrente, nunca sei o que me chama mais atenção; se é a falta de pudor com a ortografia, ou com os fatos. Por isso vou falar dos fatos, já que ortografia não se discute, se aprende. Extraí do texto e comentei a passagem mais perolática, a tal do azul e vermelho. Entre outras bobagens dizia assim: “No dia 03 de outubro, quem não votar em Dilma, saia vestindo Azul. A cor da Paz, da Liberdade e da Verdade. E será um grande recado para essa turma, mesmo se ganharem.”

Pois bem, VERMELHO OU AZUL SÃO A MESMA BOSTA, E NÃO TEM NADA A VER COM PAZ

Primeiro porque azul não é e nunca foi a cor da Paz, da Verdade ou sei lá que outros conceitos fajutos.

Além do mais, já passou há muito tempo a época dessa besteira de “vermelho e azul”, “ameaça comunista e salvação ocidental”. Esse maniqueísmo bobo já não faz sentido nenhum, nem para o PT. Atentem para o fato de que na campanha da Dilma as cores predominantes são outras. O vermelho comunista nem sequer cabe mais na agenda neoliberal capitalista do novo PT de Lula.

E tem mais, Azul é, no Paraná, a cor da campanha do Beto Richa, um demagogo de merda que ninguém deveria apoiar nem para uma eleição de síndico ainda que as cores dele estivessem só na cueca.

Nesta campanha, provavelmente a pior que já tivemos, Azul ou Vermelho dão absolutamente na mesma. Para eleitores tão deploráveis como nós, sem nenhum conhecimento ou posicionamento ideológico, essa liturgia besta de vestir-se com esta ou aquela cor só serve pra optar entre o ruim e o pior. Quer protestar? Saia pelado. Pelo menos é verdadeiro.

02/12/2007


Perseguindo a lua ao contrário.
Fiz uma coisa que nunca tinha feito antes. E gostei. É verdade, todos devem fazer, com freqüência, alguma coisa inédita.



A minha novidade de ontem foi bem simples. Estava voltado da locadora de vídeo com a minha filha, passando pelo bairro onde vivi quase toda minha infância.
No caminho ia contando pra ela que "caí daquela árvore", "namorei naquele muro" e "aquela era minha casa, era diferente", quado de repente, olhando pela janela lateral do carro, vimos que a lua estava maravilhosa. Seguimos assim por 3 quadras, achando tudo lindo e ótimo. No som do carro também estava tocando um CD que nunca tinha ouvido antes. E, ao chegar numa esquina, onde por força do caminho nos despediríamos da Lua, fiz algo inédito e contrário ao meu sentido prático de encarar a vida. Esqueci das pessoas que nos esperavam em casa com os DVDs, virei à esquerda e, tomando um rumo contrário, peguei uma rua longa que nos deixou de cara com a Lua. E fomos assim, bem devagarinho, quietos e com os braços pra fora da janela, por quadras e quadras, dois ratinhos hipnotizados pelo queijo parmesão.
Mas a cidade moderna não é amiga dos sentimentos ancestrais, e logo, um muro enorme interrompeu a rua e acabou com nosso passeio.
Fiz então outra coisa realmente inédita. Para assombro da minha filha, engatei a marcha ré, enquanto voltava a música que estava tocando, e assim pudemos voltar aquelas quadras todas vendo a Lua de um jeito bem mais bacana do que pelo retrovisor.
E ainda mais legal do que a Lua, era a cara da Vitória, que aos poucos foi mudando de espanto para tranquilidade, e enfim, excitação. Mais alguns segundos e eu acho que ela teria me pedido para fazermos de novo.
Apesar de termos desrespeitado leis de trânsito e deixado gente esperando, aprendemos juntos que andar pra trás, às vezes, pode levar muito a frente.

01/07/2007

"Posso ter uma opinião por você?"

Essa frase eu ouvi na banca de revistas do japonês, hoje de manhã, enquanto assistia na TV dele às últimas voltas da F1.

A mocinha entrou na banca, prancheta em punho, e perguntou se ele era contra ou a favor do aborto. "Estou colhendo assinaturas". Talvez o japonês nem respondesse, já que também estava assistindo a corrida, mas bastaram 5 segundos de silêncio dele para que ela, toda animada, saísse dizendo "Posso ter essa opinião por você?" E desta vez, sem dar chance de resposta, soletrou enquanto escrevia na prancheta, C - O - N - T - R - A.
Mas o melhor mesmo foi o arremate "Você não é budista, é?" E o japonês, sem desgrudar do Lewis Hamilton que caçava o Massa a apenas 2 segundos de diferença, disse não.
E eu devo ter a palavra aborto escrita na testa porque ela me ignorou solenemente, apesar de estarmos só nós 3 na banquinha. Melhor assim, porque se ela sugerisse ter uma opinião por mim eu, certamente, ia parar de assistir a corrida.